Complicações cirúrgicas precoces após bypass gástrico

ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva (São Paulo)

Print version ISSN 0102-6720

ABCD, arq. bras. cir. dig. vol.28 no.1 São Paulo  2015

http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202015000100019  

ARTIGO DE REVISÃO

Complicações cirúrgicas precoces após bypass gástrico: revisão da literatura

Pablo A. ACQUAFRESCA 1 , Mariano PALERMO 1 , Tomasz ROGULA 2 , Guillermo E. DUZA 1 , Edgardo SERRA 1

1Divisão de Cirurgia Bariátrica CIEN-DIAGNOMED - afiliada da Universidade de Buenos Aires, Buenos Aires, Argentina

2Fundação Cleveland Clinic, Instituto de Cirurgia Bariátrica e Metabólica, Cleveland, Ohio, USA

RESUMO

INTRODUÇÃO:

O bypass gástrico é hoje o procedimento bariátrico mais realizado, mas, apesar disso, várias complicações podem ocorrer com variada morbimortalidade. Provavelmente todos os cirurgiões bariátricos conhecem essas complicações, mas como a cirurgia bariátrica continua a se espalhar, o cirurgião geral deve estar familiarizado com essas complicações e seu manuseio. As complicações do bypass gástrico podem ser divididas em dois grupos: as precoces e tardias, tendo em conta o período de duas semanas após a operação. Este artigo irá focar as precoces. 

MÉTODO:

Foi realizada revisão da literatura utilizando as bases Medline/PubMed, Cochrane Library, SciELO, e informações adicionais sobre sites institucionais de interesse cruzando os descritores: bypass gástrico AND complicações; seguimento AND complicações; complicações pós-operatórias AND anastomose, Roux-en-Y; obesidade AND complicações pós-operatórias. A língua usada para a busca foi o inglês. 

RESULTADOS:

Foram selecionados 26 artigos que combinavam com os descritores. As complicações imediatas foram: fístula na linha de grampeamento, sangramento gastrointestinal, obstrução intestinal e reconstrução incorreta da alça em Roux. 

CONCLUSÃO:

O conhecimento sobre as estratégias de como reduzir o risco e incidência das complicações deve ser adquirido ao longo do tempo, e cada cirurgião deve estar familiarizado com essas complicações, a fim de reconhecê-las precocemente e realizar a melhor intervenção.

Palavras-Chave: Complicações pós-operatórias; Seguimento; Derivação gástrica; Anastomose em Y-de-Roux; Obesidade

INTRODUÇÃO

Entre todos os procedimentos bariátricos, o bypass gástrico em Y-de-Roux (RYGB) é o mais realizado13. Pertence ao grupo dos procedimentos combinados, porque gera restrição e má-absorção.

A restrição é gerada pelo exérese do estômago proximal, reduzindo assim o seu volume, e a criação de uma bolsa de cerca de 10 a 25 ml, deixando o resto do estômago excluído.

Por outro lado, a má-absorção é gerada através da divisão do intestino delgado formando uma alça alimentar (alça de Roux) e outra biliopancreática. O alça alimentar de Roux-en-Y é criada através da divisão do jejuno 50 cm abaixo do ligamento duodenojejunal. Em seguida, ela é medida e uma jejunojejunostomy mecânica laterolateral é criada, a 150 cm abaixo da gastrojejunoanastomose.

Apesar de bem documentada sua segurança1 , 7 , 11 , 28 , 30, várias complicações podem ocorrer com diferentes graus de morbidade e mortalidade. Essas complicações incluem: fístula na linha de grampeamento, sangramento gastrointestinal, obstrução intestinal, estenose de anastomose, ulceração marginal e fístula gastrogástrica e, ainda, incorreta reconstrução da alça em Roux, embora menos comum Roux.

MÉTODO

A revisão da literatura foi realizada utilizando Medline/PubMed, Cochrane Library, SciELO, e informações adicionais sobre sites institucionais de interesse cruzando os descritores: bypass gástrico AND complicações; seguimento AND complications; complicações pós-operatórias AND anastomose em Y-de-Roux; obesidade AND complicações pós-operatórias. A língua utilizada na pesquisa foi o inglês. Foram selecionados 26 estudos que combinavam com os descritores de complicações precoces que incluíram: deiscência da anastomose ou da linha de grampeamento, hemorragia gastrointestinal, obstrução intestinal e incorreta reconstrução da alça em Roux

Deiscência da anastomose ou da linha de grampeamento

Esta complicação pode ser definida como inadequada cicatrização do tecido para permitir a saída de material gastrointestinal através da linha de grampos ou sutura. Ele permanece como uma das causas mais comuns de morte após RYGB; a mortalidade associada pode ser de até 37.5-50%8 , 9 , representando a segunda causa de morte, que em conjunto com embolia pulmonar, representam mais de 50% das causas de morte em pacientes submetidos à cirurgia bariátrica.

A incidência desta complicação varia de 0 a 5,6% em grandes séries e não diferiram significativamente entre RYGB laparoscópica e laparotômica8.

Há cinco potenciais locais de vazamento após RYGB: gastrojejunostomia, linha de grampeamento da bolsa gástrica, linha de grampeamento na alça em Roux, jejunojejunostomia e linha gástrica de grampos remanescente. A frequência destas localizações é mostrada na Tabela 1.

Tabela 1 - Frequência e locais de vazamento 

LocalizaçãoIncidênciaGastrojejunostomia67,8%Bolsa gástrica10,2%Estômago excluso3,4%Anastomose jejunojejunal 5%Gastrojejunostomia e na bolsa3,4%Bolsa mais estômago excluído3,4%Local indeterminado6,8%

Diferentes fatores de risco para o desenvolvimento de vazamento foram estudados e demonstrou-se que os pacientes com maior risco são principalmente aqueles mais velhos, super-obesos, homens, e aqueles com múltiplas co-morbidades e operações bariátricas prévias ou revisionais8 , 14 , 27 , 28 , 31.

Por outro lado, a técnica operatória também pode estar relacionada com a prevenção de vazamento: disparo apropriado de tipo e tamanho de grampos, reforço da linha de grampeamento com material biológico11, o uso do selante de fibrina5 , 17, teste de vazamento no intra-operatório, anastomose sob tensão, e cuidado com isquemia na RYGB laparoscópica17.

Embora a maioria das fístulas ocorra cinco a sete dias após a operação e estão relacionada à isquemia, 95% das que ocorrem dentro de dois dias da operação, provavelmente, resultam de erro técnico20. No que diz respeito à descarga de grampos, um possível erro pode ocorrer quando eles não envolvem ou não fecham completamente quando o grampeador endoscópico é acionado. Isso pode ocorrer quando é selecionado cartucho de grampos de tamanho errado. Como resultado, eles parecem estarem disparados e colocados adequadamente, mas alguns ou todos os grampos podem tornar-se desalojados promovendo deiscência.

Outro erro pode ocorrer quando um grampo solto é retido no ápice da linha de grampos anteriormente disparado. O disparo do dispositivo sobre o grampo solto pode danificar grampos subsequentes implantados ou o grampo solto pode danificar o mecanismo de disparo grampeador levando à insuficiência do bypass em cunha17. Falha nesse disparo ocorre quando a lâmina de corte do grampeador é empurrada em sua trilha com um grampo livre arrastado pela lâmina. Como resultado, os grampos de um lado selam enquanto o outro lado abre. Devido a estes problemas potenciais, cada descarga de grampos deve ser cuidadosamente inspeccionada em ambos os lados para que a qualidade e integridade da linha de grampos e todos os grampos livres sejam localizados no vértice da linha de sutura e removido antes do próximo disparo2.

Material biológico de reforço, como o ácido poliglicólico e trimetilenocarbonato ou tiras de pericárdio bovino foram propostos como reforço da linha de grampeamento, a fim de reduzir a taxa de vazamento (Figura 2). Os resultados em termos de redução de fugas não são tão conclusivos como a diminuição do risco de sangramento na linha de grampeamento3 , 6 , 17. O ácido poliglicólico e materiais trimetilenocarbonato de reforço de grampos (poliglicólico 67%, trimetileno carbonato 33%) chamado Seamguard (WL Gore & Associates) tem vantagem sobre o pericárdio bovino, que este último é nonabsorvível, enquanto o Seamguard é completamente absorvido dentro de seis meses e é, portanto, menos propenso a causar fístula ou corrosão.

 

Figura 1 - Bypass gástrico em Y-de-Roux (Laparoscopic Gastrointestinal Surgery. Palermo, Gimenez, Gagner. Cadiere and Dapri chapter) AMOLCA 2014 

 

 

Figura 2 - Suturas de reforço na linha de grampos como luvas feitas em ambas as partes da carga do grampeador: a que se encaixa na mandíbula do cartucho, e outra que se encaixa na bigorna23 

Selantes de fibrina têm sido usados ​​com frequência crescente em uma variedade de campos cirúrgicos por sua habilidade única como hemostático e adesivo. Sintetizado a partir de plasma fresco congelado humano, e contem fibrinogênio, factor XIII, trombina, cálcio ionizado e fibronectina. Na presença de cálcio, a trombina facilita a ativação do factor XIII para polimerizar o monômero de fibrina e formar coágulo de fibrina insolúvel. O processo simula o último passo da cascata de coagulação. O fibrinogênio dá ao sistema tanto sua capacidade hemostática como a adesiva. A cola de fibrina é solidificada em massa firme e branca, borrachosa com fortes propriedades adesivas dentro de poucos segundos após ser misturada. A aplicação dela presente nas linhas de sutura, reduz a incidência de fugas como alguns estudos têm demonstrado16.

Como foi dito antes, a maioria das fístulas ocorre na gastrojejunostomia (Tabela 1); portanto, os cirurgiões devem usar algum método para intraoperatoriamente testar a integridade desta anastomose, quer através de instilação de azul de metileno por meio de uma sonda orogástrica ou insuflação de ar através de uma sonda orogástrica ou gastroscópio flexível com a anastomose submersa28. Tensão da anastomose tem sido proposta como um fator de risco para vazamentos após o bypass gástrico, pois pode resultar em estresse que excede as pressões de ruptura de uma anastomose grampeada ou suturada. O principal fator técnico que tem sido estudado e relatado é o papel da orientação da alça em Roux no desenvolvimento da fístula, após RYGB.

Teoricamente, em comparação com o percurso antecólico, o retrocólico na alça em Roux tem caminho mais direto para a bolsa gástrica e pode ser associado à menor tensão anastomótica da gastrojejunoanastomose. Os estudos até agora relatados apresentaram resultados conflitantes. Edwards et al.12 relataram que as fugas podem ocorrer mais frequentemente após a antecólica (3%) versus retrocólica (0,5%) na RYGB laparoscópica. No entanto, Bertucci et al.5 não relataram fístula, após 141 procedimentos retrocólicos e 200 antecólicos e Carrasquilla et al.10relataram taxa de fístula de 0,1% depois de 1000 procedimentos antecólicos contra 1,85% após 108 procedimentos retrocólicos. Portanto, estudo prospectivo e randomizado ainda é necessário para provar esta afirmação.

O diagnóstico de vazamentos baseia-se em sintomas clínicos, com ou sem a ajuda radiográfica19. Paciente que não evolui favoravelmente após o primeiro dia de pós-operatório e experimenta aumento da dor abdominal, taquicardia persistente, febre, taquipnéia, saída de drenagem purulenta, oligúria ou qualquer combinação destes sintomas requer investigação19 , 26 , 28. Alguns estudos têm demonstrado que a taquicardia sustentada com frequência cardíaca acima de 120 batimentos por minuto é bom indicador de deiscência19.

Alguns grupos têm questionado a necessidade de estudos de contraste gastrointestinais superiores de rotina27; no entanto, tais testes de rotina nas primeiras 24-36 h do pós-operatório é prática comum entre os cirurgiões bariátricos17 , 19.

Alguns outros métodos que podem ser utilizados para detectar os vazamentos, além do contraste gastrointestinal superior, são tomografia computadorizada ou a administração oral de azul de metileno para ver se ele sai pelos drenos28..

Se a decisão é realizar estudos de contraste, achados como coleções líquidas adjacentes à bolsa, fluido abdominal difuso, ar intraperitoneal livre, e contraste oral na drenagem, podem confirmar o diagnóstico.

Reconhecimento e tratamento precoce é a base do tratamento de vazamentos após RYGB. Dependendo da condição clínica do paciente e da magnitude do vazamento, diferentes tratamentos podem ser oferecidos, desde tratamento minimamente invasivo até reoperação.

O tratamento conservador pode ser eficaz em pacientes não-sépticos, hemodinamicamente estáveis ​​e com vazamentos contidos. O cerne deste tratamento são antibióticos por via intravenosa, monitorização das secreções drenadas, alimentação nasoenteral ou nutrição parenteral total (dependendo do caso e da localização da fuga) e, se a fuga está contida e acessível, tratamento percutâneo pode ser realizado28. Essa abordagem tem demonstrado ser bem sucedida e não tem a morbidade associada com reoperação28.

Mas, se o paciente está hemodinamicamente instável, tem vazamento complicado, ou sinais de sepsis, tratamento cirúrgico é obrigatório. Os objetivos operacionais são: confirmar e reparar o vazamento, remover conteúdo gastrointestinal da cavidade abdominal e colocar drenos de sucção fechados.

O reparo do vazamento seria a situação ideal, mas muitas vezes a sutura do local do vazamento pode ser um desafio, devido a que os tecidos com inflamação aguda podem não ser passíveis de suportar suturas. Em tais casos, a remoção do conteúdo gastrointestinal e colocação de tubos de drenagem pode ser a opção mais segura. Dependendo das habilidades da equipe cirúrgica a abordagem pode ser laparoscópica ou aberta.

Outras opções que foram descritas para controlar vazamento são o reforço omental na área de vazamento24 e a injeção endoscópica do selante de fibrina no local da fuga18.

Manter a nutrição é obrigatório para permitir a cicatrização dos tecidos no local do vazamento. A fim de alcançar este objetivo, a colocação de alimentação por gastrostomia no remanescente gástrica ou por jejunostomia deve ser considerado. Isto permite continuar a nutrição enteral enquanto o intestino é mantido no local do vazamento.

Vazamentos na linha de sutura ou na anastomose são a principal preocupação para os cirurgiões bariátricos ao realizar RYGB. Embora a incidência seja baixa, suas complicações podem ser devastadoras. O cuidado deve ser tomado quando se dispara o grampeador, de acordo com as diretrizes mencionadas anteriormente. Se ocorrer vazamento, o reconhecimento precoce é essencial para evitar maiores complicações e reduzir a morbidade e mortalidade. A linha de tratamento irá variar de acordo com o estado clínico do paciente.

Hemorragia gastrointestinal

Entre as complicações precoces, o sangramento é uma das mais temidas pelos cirurgiões. A literatura relata incidência entre 1,9% e 4,4%19 , 22 e sua incidência pode ser maior em pacientes com operação abdominal anterior, devido as aderências requerindo adesiolise intraoperatória.

Curiosamente, uma revisão sistemática comparando RYGB aberto contra o laparoscópico mostraram que a frequência de hemorragia no trato gastrointestinal foi significativamente maior no RYGB série laparoscópica (LRYGB) de 1,9% vs 0,6%. Algumas hipóteses para explicar este aumento da incidência de sangramento no LRYGB na era da cirurgia minimamente invasiva são o uso excessivo de quimioprofilaxia na presvenção de trombose venosa profunda e a diminuição da prática de segundo plano se sutura sobre a linha de grampeamento.

O sangramento após LRYGB pode ter origem em um dos cinco potenciais linhas: bolsa gástrica, estômago excluído, alça de Roux, gastrojejunostomia e jejunojejunostomia. O sangramento ocorre nas bordas do tecido seccionado ou nos locais de penetração do grampo do tecido. Em ordem de frequência, os locais de sangramento no grampeamento são: 40% na linha do estômago remanescente; 30% na linha gastrojejunal; e 30% na linha jejunojejunal (Figura 3). Locais adicionais de sangramento incluem o fígado, o baço e portais.

 

Figura 3 - Locais de sangramento nas linhas de sutura15 

 

Existem dois tipos de hemorragia pós-operatória após LRYGB: intraperitoneal ou intraluminal. O primeiro é o sangramento para dentro da cavidade abdominal, possivelmente a partir de linhas da gastrojejunostomia, da bolsa gástrica, da jejunojejunostomia ou do estômago excluído35. O segundo, ocorre dentro do lúmen do trato digestivo nos locais acima mencionados. O último geralmente ocorre como sangramento tardio, enquanto o sangramento intraperitoneal como hemorragia precoce.

Como qualquer sangramento associado à cirurgia, o reconhecimento precoce é essencial. Os sinais e sintomas clínicos são cruciais para determinar as medidas mais adequadas para a gestão desta complicação potencialmente fatal. Alguns cirurgiões defendem o uso de drenos para o reconhecimento precoce de hemorragia. Entretanto, como em outras áreas da cirurgia gastrointestinal, drenos nem sempre são indicadores confiáveis, particularmente no caso de hemorragia intraluminal. Portanto, mais uma vez, parâmetros clínicos e exames laboratoriais tornam-se mais importantes. A presença de palidez, tontura, confusão, taquicardia, hipotensão, hematêmese, sangue vermelho vivo pelo reto, queda no nível de hemoglobina, grande quantidade de líquido sanguinolento do drenos abdominais e baixa produção de urina deve alertar o cirurgião para sangramento pós-operatório em curso19.

O tratamento depende do momento de início e pela apresentação clínica. Em casos de apresentação tardia (>48 h) hemorragia gastrointestinal pós-operatória, pode ser gerida de forma conservadora na maioria dos casos, principalmente quando associada à ausência de sintomas agudos clínicos e melena, o que pode indicar a passagem de sangue antigo e sangramento inativo. Nestes casos pode ser bem sucedida a suspensão da quimioprofilaxia venosa profunda e espera vigilante com terapia de apoio.

Por outro lado, o sangramento pós-operatório precoce, ocorrendo dentro de algumas horas após a operação, manifestado por hematêmese ou sangue vermelho vivo pelo reto na presença de sinais clínicos de sangramento é clara indicação de intervenção cirúrgica urgente. Deve ser realizada exploração abdominal usando laparoscopia ou abordagem aberta. Se o paciente estiver hemodinamicamente instável, a laparoscopia é relativamente contraindicada porque o aumento da pressão intra- abdominal durante o pneumoperitônio pode resultar em piora hemodinâmica.

Os objetivos são evacuar a maioria dos coágulos, tentar identificar e controlar o local sangrante, sobressuturar as linhas de grampeamento23 ou todas as linhas se o paciente estiver instável hemodinamicamente e não tiver um local de sangramento óbvio22. Estômago excluído dilatado pode ser devido ao enchimento por coágulos, e, nestes casos, é necessário evacuar os coágulos e colocar dreno tubular para descompressão gástrica contínua. Não raro, nenhuma fonte óbvia de hemorragia pode ser determinada durante a re - exploração, mas o paciente ainda pode se beneficiar com a evacuação do hematoma intraperitoneal, o que pode acelerar o processo de recuperação por meio de encurtar a duração do íleo pós-operatório.

Uma importante quantidade de sangue pode ser perdida com hemorragia gastrointestinal aguda pós-operatória antes dos sinais clínicos aparentes abdominais desenvolverem-se. Hemorragia intra-abdominal é suspeitada com base em sinais clínicos - como hipotensão, taquicardia ou hematócrito caindo -, na ausência de qualquer fonte gastrointestinal óbvia, e re - exploração não deve ser adiada.

Embora hematêmese sugira origem na gastrojejunostomia, sangue vivo, vermelho, brilhante pelo reto talvez tenha origem no estômago remanescente ou na anastomose da jejunojejunostomia.

Suspeitando-se ser a fonte do sangramento proximal intraluminal, a melhor opção de tratamento é intervenção endoscópica, o que é de valor inestimável em controlar o sangramento da bolsa gástrica ou na gastrojejunostomia. Coagulação térmica, injeção de vasoconstritores, e clipagem são formas eficazes de controle do sangramento a partir destes locais4.

Endoscopia tem aplicação limitada para a gestão de sangramento na jejunojejunostomia devido ao longo comprimento da alça em Roux, particularmente em doentes com alça de 150 cm, e a grande quantidade de coágulos intraluminares proibindo boa visualização. Embora acesso endoscópico bem sucedido no sangramento da jejunojejunostomia tenha sido descrito4 não há nenhum papel endoscópico na linha de grampeamento no estômago excluso, que é inacessível para o endoscópio.

Existem alguns métodos possíveis para a prevenção de sangramento na linha de grampos. Um método consiste é utilizar grampeador linear com altura de grampos mais curta. Por exemplo, grampear com cargas lineares brancas (2,5 mm), em vez de cargas azuis (3,5 mm) para a criação do jejunojejunostomia ou carga azul em vez da verde (4,8 mm) para a criação da bolsa gástrica. A altura do grampo mais curta proporciona mais compressão dos tecidos e, portanto, resulta em melhor hemostase. No entanto, a menor altura do grampo não impede completamente sangramento pelo grampo e pode aumentar o risco de deiscênca devido à aproximação tecidual inadequada.

Outro método para a prevenção de hemorragia da linha de grampeamento é o uso de um produto de reforço dos grampos. Peri-Strips Dry(r) (Synovis, Saint Paul, MN) são compostas por duas tiras de tecido biológico, derivadas de pericárdio bovino, que são aplicadas no grampeador linear e agem como material de justaposição nas linhas6. Seamguard(r) (WL Gore & Associates, Flagstaff, AZ) é reforço da linha de grampos e funciona de forma similar, usando ePTFE em vez de tecido biológico, mas esses produtos são não-absorvíveis. A presença de um corpo estranho ao lado do trato gastrointestinal pode conduzir infecção de corpo estranho e possível erosão. Então, Seamguard(r) bioabsorvível composto por material de sutura absorvível Maxon(r) que é degradada no prazo de seis semanas após a operação pode ser opção melhor.

Outro método potencial para a prevenção de hemorragia gastrointestinal realizada por muitos cirurgiões é rotineiramente a sobressutura de todas as linhas na operação inicial. No entanto, esta é tarefa que consome tempo.

A hemorragia é complicação potencial após bypass gástrico. Sua incidência parece ser mais alta em LRYGB que em RYGB laparotômica. O tempo da intervenção deve ser baseada em estado clínico do paciente, incluindo os sinais vitais, hematócrito, e outras indicações de hemorragia contínua. A abordagem endoscópica de sangramento da bolsa gástrica pode ser bem sucedida. A exploração laparoscópica será obrigatória em caso de sangramento e sobressutura de todas linhas intraperitoneais deve ser realizada. Em alguns pacientes, será necessário um tubo gástrico para evacuação de coágulos. As medidas preventivas incluem o uso de grampos com menor altura, sobressutura de rotina das linhas de grampeamento, e/ou o uso de produtos de reforço da linha de grampeamento.

Obstrução intestinal

As causas mais comuns de obstrução do intestino delgado na LRYGB estão relacionados à hérnia interna que é complicação temida e bem reconhecida após RYGB. Hérnia interna pode ser definida como protusão do intestino através de um defeito dentro da cavidade abdominal. A maioria das hérnias internas estão presentes no período pós-operatório tardio, em vez de mais precoce.

Em comparação com a abordagem aberta, a incidência de hérnia interna é maior após LRYGB, estimada entre 3-4,5%25. Algumas hipóteses postulam que a abordagem laparoscópica reduz a manipulação do intestino e irritação peritoneal, por isso gera menos aderências pós-operatórias e, assim, menor fixação do intestino delgado à estruturas adjacentes. Em adição, rápida perda de peso após LRYGB com redução da gordura intraperitoneal pode promover maiores defeitos mesentéricos7.

A obstrução intestinal secundária à hérnias internas geralmente se apresenta no pós-operatório mais tardio, enquanto que obstruções do intestino delgado (em menos de um mês) comumente resultam de problemas técnicos com a alça de Roux. As causas incluem o bloqueio completo ou parcial da gastrojejunostomia ou jejunojejunostomia, angulação aguda da alça de Roux, e estreitamento dela no nível de mesocólon transversal. Esta última é também vista como complicação tardia devido à cicatrização da abertura do defeito mesocólon transversal.

RYGB pode ser realizada utilizando qualquer via, antecólica ou retrocólica. Dependendo da abordagem escolhida uma série de defeitos mesentéricos potenciais são criados (Figura 4). A abordagem retrocólica cria três defeitos: um no mesocólon transverso, um no local da jejunojejunostomia e um no espaço de Petersen (espaço criado entre a alça de Roux e o mesocólon transverso). A abordagem antecólica cria apenas dois defeitos mesentéricos: um na jejunojejunostomia e outro no espaço de Petersen.

 

Figura 4 - Defeitos mesentéricos: A) mesocólon transverso; B) espaço de Petersen; e C) mesentério da jejunojejunostomia32 

 

O local mais comum para hérnias internas e sua relação com a configuração da alça de Roux tem sido assunto de debate. Compreensivelmente, hérnias de defeitos mesocólicos são exclusivos da via retrocólica e não são vistos com a antecólica. Em alguns relatos, os defeitos mesocólicos foram os mais comuns entre todas as hérnias internas33. Alguns autores relataram que hérnias do mesocólon transverso foram as mais comuns, seguidas pelas da jejunojejunostomia e espaço de Petersen. Na abordagem antecólica, no entanto, são relatadas tanto na jejunojejunostomia como no defeito mesentérico de Petersen; hérnia na jejunojejunostomia é mais comum em algumas outras séries25. Outros pesquisadores relataram maior incidência de hérnias de Petersen e jejunojejunostomia com a via retrocólica. Diminuição significativa da obstrução do intestino delgado foi relatada por alguns autores após mudança da via retrocólica para antecólica.

Dor abdominal por distensão, com ou sem obstrução intestinal, é a apresentação mais comum da hérnia interna. Normalmente, aparece tardiamente, ocorrendo vários meses a anos após a operação, mas pode ocorrer no período pós-operatório imediato (sendo mais comum nesses casos, os problemas técnicos com a alça de Roux).

Alguns pacientes relatam episódios anteriores com sintomas gastrointestinais frequentes indefinidos leves sinalisando obstrução intermitente, antes de sua apresentação principal. O intestino delgado pode intermitentemente tornar-se preso e, em seguida, reduzir-se no local da hérnia, fazendo características atípicas sutis da obstrução intestinal. Náusea, vômitos, dor abdominal pós-prandial (geralmente no quadrante superior esquerdo) são queixas comuns; são devidas às alterações na anatomia gastrointestinal e os pacientes podem não apresentar sinais e sintomas típicos de obstrução intestinal.

Diagnóstico da obstrução pode ser feito através de estudo contrastado gastrointestinal superior. No entanto, a causa específica pode não ficar evidente. Achados que favorecem o diagnóstico de hérnia interna incluem conjunto de alças distendidas no abdome superior ou médio esquerdo, que permanecem relativamente fixas nesta posição nas imagens obtidas com o paciente em posição ereta.

A tomografia computadorizada pode ser útil em descrever sinais herniários. Em hérnia interna trans mesentérica, quando a alça de Roux é herniada, a tomografia mostra um conjunto alças mais distendidas na posição esperada da alça de Roux. Outros achados tomográficos sugestivos incluem mesentério do intestino delgado atravessando o mesocólon do cólon transverso e localização da jejunojejunostomia acima do cólon transverso48. Além disso, a aglomeração, alongamento e ingurgitamento do tronco principal mesentérico pode sinalisar obstrução. A aparência rodada de gordura mesentérica ou vascular pode ser o melhor preditor independente da hérnia, com sensibilidade de cerca de 80% e especificidade de 90%.

No entanto, a tomografia computadorizada nem sempre é diagnóstica e a percentagem achados negativos em pacientes com hérnia interna pode ser de até 20%. Por isso deve ser considerado portador de hérnia todo o paciente com dor abdominal inexplicável que não se correlaciona com achados físicos. Alto índice de suspeição é fundamental para indicar intervenção precoce e prevenção de catástrofe abdominal, como o longo segmento de isquemia intestinal.

Para evitar a obstrução após o bypass gástrico, devem ser tomadas medidas específicas. É recomendado o fechamento rotineiro do defeito mesentérico na jejunojejunostomia, mesocólon transverso, e no defeito de Petersen. Alguns autores defendem a colocação de uma ''sutura anti-obstrução'' na jejunojejunostomia para evitar obstrução intestinal no ramo aferente29. Outros autores recomendam a colocação de sutura na extremidade proximal da alça de Roux, fixando-a no estômago remanescente para evitar angulação da parte proximal da alça de Roux no caso de uma técnica antecólica, antegástrica33

O uso de fio absorvível ou não absorvível, sutura contínua ou interrompida tem sido também uma questão de debate. Alguns autores que modificaram a sua técnica de absorvível para suturas não absorvíveis, e de pontos separados para sutura contínua, relataram redução na incidência de hérnias internas.

Deixando de lado a hérnias internas, a segunda causa mais comum de obstrução do intestino delgado após LRYGB é a obstrução na jejunojejunostomia, ocorrendo em cerca de 1,8% dos procedimentos antecólicos. Ela também pode ocorrer na abordagem retrocólica. Obstruções precoces na jejunojejunostomia podem ser causadas por problemas técnicos, como a torção do intestino, estreitamento, ou angulação aguda da anastomose. Outras causas incluem edema pós-cirúrgico da anastomose, estenose, isquemia e sangramento no grampeamento com formação de hematoma intraluminal. Obstruções iniciais em outros locais resultam geralmente de edema ou problemas técnicos com a posição da alça de Roux, tais como compressão extrínseca da alça à medida que atravessa o defeito mesocólico transverso no ponto da formação de cicatriz espessada nesta área.

Outras causas menos comuns após LRYGB incluem hérnias incisionais nos portais (portais maiores que 10 mm devem ser fechados rotineiramente para prevenir herniação), faixas adesivas, bezoares, estenoses de anastomose, e intussuscepção na jejunojejunostomia. Raramente, síndrome da artéria mesentérica superior, pode complicar o curso da LRYGB secundária à perda de peso rápida e causar sintomas de obstrução na saída gástrica.

A exploração cirúrgica de pacientes com suspeita de hérnia interna deve ser realizada sem demora. Decisão operatória duvidosa pode resultar no desenvolvimento de obstrução de alça fechada, um problema potencialmente devastador. Apesar de estudos complementares normais, laparoscopia diagnóstica é recomendada se os sintomas clínicos sugerirem hérnia interna. Todo o intestino delgado e todos os defeitos potenciais herniários deve ser cuidadosamente avaliada. Se hérnia é encontrada, a reparação envolve a redução dela e fechando do defeito. Defeitos restantes devem ser fechados, se eles já não tenham sido fechados.

Lise de aderências deve ser realizada se provocarem obstrução. É recomendada descompressão gástrica na presença de remanescente gástrico dilatado usando uma agulha longa ou colocação de um tubo de gastrostomia.

O estreitamento da jejunojejunostomia devido ao grampeamento incorreto geralmente requer a criação de uma nova enteroenterostomia proximal ao local da obstrução. Angulação da alça de Roux no jejunojejunostomia requer reposicionamento dela e colocação de uma sutura anti-obstrução.

A possibilidade de realizar abordagem laparoscópica para obstrução intestinal vai depender do grau de dilatação do intestino e o local da obstrução. Em caso de obstrução distal com concomitante dilatação intestinal grave, muitas vezes dificulta a entrada laparoscópica segura e pode necessitar de laparotomia.

Obstrução na alça de Roux devido ao edema da jejunojejunostomia ou gastrojejunostomia geralmente requer tratamento conservador que consiste em suspender a alimentação por via oral e a administração de fluidos intravenosos. A nutrição parenteral total raramente é necessária porque este problema geralmente se resolve dentro de alguns dias. Obstrução do mesocólon transverso também é tipicamente tratado de forma conservadora.

A obstrução intestinal é complicação relativamente frequente após LRYGB. Fechamento de todos os defeitos do mesentério é altamente recomendado para prevenir hérnias internas. A abordagem antegástrica, antecólica, poderia reduzir a incidência de hérnias internas no defeito transmesocólico. O diagnóstico precoce e exploração cirúrgica em casos suspeitos é essencial para um bom resultado.

Incorreta reconstrução da alça em Roux 

Esta complicação, apesar de ser rara, pode ser potencialmente devastador. Envolve a anastomose inadvertida da alça biliopancreática proximal do jejuno para a bolsa gástrica, em conjunto com um jejunojejunostomia deslocada. É chamado de construção Roux-O e dá origem a um ciclo cego (Figura 5). Embora pareça ser complicação atípica, raramente relatada na literatura, deve estar presente na mente cirurgiões porque pode ser facilmente evitada e, se ocorrer, apresenta desafios diagnósticos e grandemente aumenta a morbidade3.

 

Figura 5 - Configuração de Roux-en-O: a alça bilio-pancreática é inadvertidamente anastomosada à bolsa gástrica; a linha ondulada representa o peristaltismo e refluxo de bile; a linha cheia representa o movimento do bolo alimentar32 

Pacientes com a configuração de Roux-en-O tipicamente se apresentam com dor abdominal, vômitos biliares, esofagite severa e desidratação. Isso ocorre imediatamente no pós-operatório. Geralmente há demora entre sintomas iniciais e o tempo em que o diagnóstico é determinado. Durante este período, o médico costuma pedir numerosos estudos de contraste radiológico e endoscopias, que geralmente não conseguem destacar qualquer doença importante. Em última análise, parece que só exame digital hepatobiliar com ácido iminodiacético é capaz de facilitar o diagnóstico da complicação com precisão, revelando refluxo rápido do marcador radioativo do duodeno para o esôfago. Em relatos sobre esta complicação, os pacientes tinham sido submetidos à repetidas intervenções operatórias, inúmeras complicações, internações prolongadas e grave atraso no início da ingestão oral.

A melhor estratégia de tratamento é evitar a criação da anastomose em Roux-en-O na cirurgia inicial. A falta de experiência cirúrgica com técnicas de cirurgia bariátrica pode ser o fator predisponente mais importante para esta complicação. Algumas dicas técnicas para evitar esta complicação são para fazer a alça biliopancreática não mais que 50 cm, possibilitando, assim, anastomose mais fácil com a bolsa gástrica. Além disso, a alça de Roux deve ser marcada com uma sutura, pedaço curto de Penrose ou clipe, logo após o ponto de secção do jejuno para facilitar a diferenciação entre ele e a alça biliopancreática. Finalmente, antes de fazer a jejunojejunostomia, a alça biliopancreática deve ser rastreada até o ligamento duodenojejunal para que a orientação adequada esteja garantida.

Se a detecção intra-operatória de Roux-en-O não foi feita e o paciente apresenta no pós-operatório sintomas suspeitos e pouca evidência radiográfica da situação, a digitalização hepatobiliar com ácido iminodiacético deve ser realizada antes da intervenção cirúrgica para ajudar no diagnóstico, porque a situação aberrante é às vezes difícil para ser detectada intra-operatoriamente em um abdômen hostil.

CONCLUSÃO

O conhecimento sobre as estratégias de como reduzir o risco e incidência das complicações deve ser adquirido ao longo do tempo, e cada cirurgião deve estar familiarizado com essas complicações, a fim de reconhecê-las precocemente e realizar a melhor intervenção.

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Fonte de financiamento: não há

Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva - CBCD
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Fonte: scielo.org